Eu trabalho num Centro de Reabilitação Fisica, cuido de pessoas que por vitima de acidentes ou doenças sofreram lesões medulares que limitam sériamente a sua mobilidade.
Os doentes de manhã após o levante iniciam os treinos de se auto-cuidarem de forma mais autónoma, cada um no seu ritmo, porque cada caso é um caso... No entanto os doentes têm a ideia que esta parte da sua reabilitação não é muito importante, que no ginásio fazendo exercicios e mobilizações é a parte essencial do seu programa de reabilitação. Apesar de termos internamentos exclusivamente para treinos de actividades de vida diária.
no início deste Novo Ano apareceu um plano de horários a implementar de modo a termos doentes a sairem do internamento ás 09h, dando assim razão aos doentes e reforçando desta forma a urgência de ir rapidamente para o ginásio.
O Stress que se vive entre enfermeiros,auxiliares,doentes, prestadores de cuidados...é de tal ordem que as palavras que mais se ouvem nos quartos é rápido! já lá devia estar... ainda não está pronto?
Um dia destes um doente acordou muito desorientado ás cinco da manhã e as palavras que dizia eram:
_Depressa, depressa!
_Lave-me depressa!
_Tenho de comer depressa!
_Depressa, depressa, depressa, a carrinha vai embora e já não me leva para o ginásio!
Enfim, palavras para quê? Enquanto houver uma incoerência tal entre ordens e conhecimento da realidade, não vamos lá...Seja aonde for!
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sexta-feira, janeiro 16, 2009
STRESS PROFISSIONAL
Eu trabalho num Centro de Reabilitação Fisica, cuido de pessoas que por vitima de acidentes ou doenças sofreram lesões medulares que limitam sériamente a sua mobilidade.
Os doentes de manhã após o levante iniciam os treinos de se auto-cuidarem de forma mais autónoma, cada um no seu ritmo, porque cada caso é um caso... No entanto os doentes têm a ideia que esta parte da sua reabilitação não é muito importante, que no ginásio fazendo exercicios e mobilizações é a parte essencial do seu programa de reabilitação. Apesar de termos internamentos exclusivamente para treinos de actividades de vida diária.
no início deste Novo Ano apareceu um plano de horários a implementar de modo a termos doentes a sairem do internamento ás 09h, dando assim razão aos doentes e reforçando desta forma a urgência de ir rapidamente para o ginásio.
O Stress que se vive entre enfermeiros,auxiliares,doentes, prestadores de cuidados...é de tal ordem que as palavras que mais se ouvem nos quartos é rápido! já lá devia estar... ainda não está pronto?
Um dia destes um doente acordou muito desorientado ás cinco da manhã e as palavras que dizia eram:
_Depressa, depressa!
_Lave-me depressa!
_Tenho de comer depressa!
_Depressa, depressa, depressa, a carrinha vai embora e já não me leva para o ginásio!
Enfim, palavras para quê? Enquanto houver uma incoerência tal entre ordens e conhecimento da realidade, não vamos lá...Seja aonde for!
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terça-feira, novembro 11, 2008
O PAPEL DO ENFERMEIRO
Cada dia que passa tenho-me debruçado sobre muitos temas da enfermagem que me interessam e sobre os quais tenho curiosidade e um dos temas que me suscitam mais curiosidade é o Pânico pré-alta, ou seja todos os agravamentos que aparecem num doente/família quando se avizinha uma alta, após um internamento de longa duração. O que será que se passa, para o doente que uma vez estabilizado, de repente não se sente preparado para ir para sua casa, quando muitas vezes numa fase inicial, recusou o internamento, quis mesmo antecipar a alta e agora não se sente preparado... Onde foi que falhamos? Médicos, Enfermeiros, Assistentes sociais, Psicólogo,...? Será que falhamos?
No meu caso trabalho num serviço de reabilitação. As pessoas entram para se adaptarem a uma limitação da mobilidade. No início o desânimo e a imagem do que eram e de como estão é demasiado forte para que possam pensar em viver o dia-a-dia, de outra forma. Sentem-se inúteis, incapazes, deficientes, sei lá. Renitentes começam a ouvir exemplos de sucesso, de evoluções favoráveis em casos parecidos com o seu e ao longo da primeira semana o ginásio e a recuperação fisica a 100% torna-se uma obsessão. Todo o tempo é pouco para trabalhar articulações, músculos e tendões. Recuperam o apetite e a vontade de viver!Nadam, pedalam, jogam, treinam...Depois começam a lidar aos poucos com as limitações que os vão acompanhar para o resto da vida. A Equipa Multi disciplinar estuda e determina que alterações são necessárias fazer na habitação e de que ajudas técnicas precisam para tornar mais fácil o dia-a-dia de toda a família. O psicólogo dá uma ajuda nos momentos de confronto com a nova realidade... E o Enfermeiro? Qual o Papel do enfermeiro?
O enfermeiro colabora activamente no processo de reconstrução desta nova pessoa que renasce durante o internamento.
Ao Enfermeiro compete conciliar a reabilitação física, com a psicológica, a social e, muitas vezes a familiar e profissional.
Esta Missão não se consegue levar a bom porto com protecções exageradas do doente, nem com a omissão do que é a realidade de uma pessoa com défice de mobilidade. Temos que lhe mostrar um leque abrangente de profissões que se encaixem na sua limitação, ajudar a bater ás portas certas, mostrar-lhe as dificuldades de andar nas ruas deste país, mostrar como enfrentar os olhares e os dedos apontados... Apoiar e ouvir os medos de quem cuida e de quem é cuidado.
Conseguindo detectar e dar seguimento e resposta ás dúvidas e aos receios e ás vergonhas...
Eu acho que o Enfermeiro tem a cola especial para reconstruir as bases desta nova pessoa porque é com o enfermeiro que o doente fala nas noites de insónia, mães de todos os medos, é com o enfermeiro que os familiares desabafam após a visita de Domingo, é o enfermeiro que entretém os filhotes enquanto os pais reaprendem a namorar...
Pode parecer pouco para quem apenas é técnico de enfermagem, porque isto não se aprende só nos livros, isto é um trabalho feito com o coração de um ser humano que se dedica a outro ser humano.
Para mim é isto que é Ser Enfermeiro!
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